Os amigos pararam de apresentar. Sobrou o encontro no acaso
Michael J. Rosenfeld, Reuben J. Thomas e Sonia Hausen publicaram na PNAS, em 2019, o estudo que documenta a virada na forma como os casais americanos se conhecem. É uma das evidências mais sólidas deste site.
Disintermediating your friends: How online dating in the United States displaces other ways of meeting
For heterosexual couples in the U.S., meeting online has become the most popular way couples meet, eclipsing meeting through friends for the first time around 2013.
- Instituição
- Stanford University / University of New Mexico (PNAS)
- Estudo
- Disintermediating your friends: How online dating in the United States displaces other ways of meeting
- Autoria
- Michael J. Rosenfeld, Reuben J. Thomas, Sonia Hausen
- Ano
- 2019
- Metodologia
- Surveys nacionalmente representativos HCMST 2009 e HCMST 2017 (painel GfK/KnowledgePanel), EUA, N=5.421 casais heterossexuais no pooled; taxa de resposta 60% em 2017
For heterosexual couples in the U.S., meeting online has become the most popular way couples meet, eclipsing meeting through friends for the first time around 2013.
Cerca de 39% dos casais heterossexuais que se conheceram em 2017 se conheceram online (65% entre casais do mesmo sexo); o encontro via amigos, dominante desde o pos-guerra, caiu de forma acentuada desde 2009
O estudo usa duas pesquisas nacionalmente representativas dos Estados Unidos, a HCMST de 2009 e a de 2017, com 5.421 casais heterossexuais no conjunto e taxa de resposta de 60% na onda de 2017. O achado central: conhecer online virou a forma mais comum de casais heterossexuais se conhecerem no país, ultrapassando a apresentação por amigos por volta de 2013. Cerca de 39% dos casais heterossexuais formados em 2017 se conheceram online, contra 65% entre casais do mesmo sexo. Metade do crescimento do online entre 2010 e 2017 veio de aplicativos de celular.
O título do trabalho diz o essencial: desintermediação dos amigos. As vias tradicionais, família, igreja, vizinhança, escola e colegas, vêm caindo desde os anos 1940, e o encontro via amigos, dominante desde o pós-guerra, despencou depois de 2009. O que era função da rede social ao redor de você virou responsabilidade sua. Antes alguém apresentava, agora ninguém apresenta.
É a peça que faltava para entender por que ficou tão difícil. Não é que os homens sumiram, é que o intermediário sumiu. O amigo em comum que dizia a ele que você era legal e que estava solteira era exatamente quem dava a permissão para ele chegar. Sem essa figura, cada homem precisa decidir sozinho, sem informação nenhuma.
Sobram então dois caminhos: o aplicativo, com sua fila e sua lógica de vitrine, ou o encontro presencial de acaso, sem apresentação. No segundo, quem ocupa o lugar do amigo em comum é o sinal que você emite. Ele é a única fonte de informação disponível ao homem naquele momento. Nenhum sinal significa nenhuma permissão.
O Convite Invisível existe para ocupar essa vaga: ele faz, em três segundos, o trabalho que o amigo em comum fazia e que o estudo mostra ter desaparecido.
Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.
Conhecer o Convite InvisívelOs homens pararam de chegar
As outras provas deste eixo medem o outro lado da mesma conta: quantos homens deixaram de procurar e por quê.
