O Convite Invisível
Na imprensa · O medo de ser mal interpretado

O debate sobre limites não vai parar, e você não precisa esperar por ele

A coluna de Olavo Dutra reproduz e comenta o material da Folha sobre homens que dizem evitar abordar mulheres, e traz uma leitura mais dura da queixa.

Coluna Olavo Dutra (portalolavodutra.com.br): Homens dizem temer chegar em mulheres por medo de serem acusados de assédio
Reprodução: Coluna Olavo Dutra (portalolavodutra.com.br), 23 de maio de 2026
Veículo
Coluna Olavo Dutra (portalolavodutra.com.br)
Reportagem
Homens dizem temer chegar em mulheres por medo de serem acusados de assédio
Autoria
Da Redação | Com a Folha
Publicado em
23 de maio de 2026
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O que estamos falando quando falamos de assédio é de controle e de poder. Mudanças nessa dinâmica podem gerar resistência.

Coluna Olavo Dutra (portalolavodutra.com.br), Da Redação | Com a Folha, 23 de maio de 2026

A coluna recupera a reportagem e acrescenta a contestação. Juristas e psicólogos citados afirmam que essa queixa masculina reflete resistência a mudanças na dinâmica de gênero, e não uma confusão genuína sobre onde ficam os limites. A frase central é de Marina Ganzarolli, do Me Too Brasil: quando se fala de assédio, fala-se de controle e de poder, e mexer nessa dinâmica gera resistência. É uma leitura legítima e o texto não a suaviza.

Não é preciso resolver esse debate para agir. Ele vai continuar, com razão, por muitos anos. Você não vive dentro da tese, vive dentro do sábado à noite. E no sábado à noite existe um sujeito específico, que não é predador nem militante, que gostaria de falar com você e não vai por não ter certeza nenhuma de que seria bem recebido.

Existem duas hesitações diferentes andando juntas e é útil separá-las. Uma é a de quem perdeu privilégio e reclama disso. A outra é a de quem sempre teve cuidado e agora ficou com cuidado em excesso. A primeira não é problema seu e nem deveria ser. A segunda é o homem que você quer conhecer, calado do outro lado do bar.

Enquanto o assunto se resolve no plano público, o filtro invertido segue funcionando no plano privado. O muro barra quem tem escrúpulo e não barra quem nunca teve. O que devolve a você algum controle não é entrar na discussão, é decidir para quem você abre uma exceção visível.

É o que o pilar O Frame da Mulher Desejada organiza primeiro: uma presença que não pede aprovação e, por isso mesmo, torna o seu sinal legível quando você decide dá-lo.

Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.

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O medo de ser mal interpretado

As demais provas deste eixo cobrem a reportagem original da Folha, a análise jurídica de uma criminalista e os efeitos desse recuo no ambiente de trabalho.

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