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18 mil vídeos: o retrato do Red Pill em português

Pesquisadores da UFMG e da UFOP analisaram 28 canais Red Pill do YouTube brasileiro entre janeiro de 2024 e junho de 2025. É o levantamento mais robusto já feito sobre essa cena em português.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

A Misoginia no YouTube Brasileiro: Um Estudo de Caso sobre o Conteúdo Produzido pela Comunidade Red Pill

Victor Martins, Sophia Eduarda V. Serafim, Livia Caroline R. Pereira, Amanda F. Alves, Carlos H. G. Ferreira, Jussara M. Almeida · 2025

We analyzed 18,034 vídeos and over 2.2 million comments from 28 channels published between January 2024 and June 2025.

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Instituição
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Estudo
A Misoginia no YouTube Brasileiro: Um Estudo de Caso sobre o Conteúdo Produzido pela Comunidade Red Pill
Autoria
Victor Martins, Sophia Eduarda V. Serafim, Livia Caroline R. Pereira, Amanda F. Alves, Carlos H. G. Ferreira, Jussara M. Almeida
Ano
2025
Metodologia
Coleta e análise de 18.034 vídeos e 2,2 milhões de comentários de 28 canais Red Pill do YouTube brasileiro, janeiro de 2024 a junho de 2025, com técnicas de PLN para sentimento e toxicidade; publicado no WebMedia 2025 (SBC)
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We analyzed 18,034 vídeos and over 2.2 million comments from 28 channels published between January 2024 and June 2025.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), 2025
O número

18.034 vídeos e mais de 2,2 milhões de comentários de 28 canais brasileiros analisados entre janeiro de 2024 e junho de 2025; canais misoginos brasileiros ja chegam a 229 mil inscritos e mais de 105 mil vídeos, com média de 612 mil visualizacoes

O estudo, publicado no WebMedia 2025 da SBC, coletou 18.034 vídeos e mais de 2,2 milhões de comentários desses 28 canais e aplicou técnicas de processamento de linguagem natural para medir sentimento e toxicidade. Os números de alcance impressionam: canais misóginos brasileiros chegam a 229 mil inscritos e mais de 105 mil vídeos, com média de 612 mil visualizações. O padrão mais interessante está na diferença entre embalagem e conteúdo. Títulos e descrições se mantêm em tom neutro, enquanto a toxicidade e o sentimento negativo se concentram nos comentários. Os autores levantam a hipótese de que o tom neutro serve para escapar da moderação automática.

Essa engenharia de embalagem é o que torna o material difícil de identificar de fora. O vídeo não se anuncia como ódio. Ele se anuncia como conselho, valor pessoal, foco. Um homem que clica ali não sente que entrou num espaço extremo, sente que entrou numa aula. A dose vem no meio, e vem na área de comentários, onde a comunidade fala o que o título não fala.

Importa muito que este dado seja brasileiro. Boa parte da evidência sobre machosfera vem dos Estados Unidos, do Reino Unido ou da Irlanda, e sempre cabe a ressalva de contexto. Aqui não cabe. É o nosso YouTube, é o nosso idioma, é o público que está na mesma cidade que você.

O que isso significa na prática: o homem de trinta e poucos anos que você acha reservado demais talvez tenha passado meses ouvindo que iniciativa é risco e que interesse feminino é armadilha. Não é desculpa para o comportamento dele, e não é responsabilidade sua consertar isso. É informação sobre o terreno em que você está jogando.

Decodifique os Sinais Dele serve para essa hora: distinguir o homem travado pelo ambiente daquele que simplesmente não tem interesse, sem gastar meses tentando adivinhar qual é qual.

Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.

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