O Convite Invisível
Nos estudos · A indústria red pill

Em 23 minutos o feed masculino já mudou de assunto

O Anti-Bullying Centre da Dublin City University montou dez celulares novos com contas em branco e mediu o que TikTok e YouTube Shorts recomendam a um perfil masculino. O relógio conta a história.

Dublin City University, Anti-Bullying Centre

Recommending Toxicity: The role of algorithmic recommender functions on YouTube Shorts and TikTok in promoting male supremacist influencers

Catherine Baker, Debbie Ging, Maja Brandt Andreasen · 2024

All of the male-identified accounts were fed masculinist, anti-feminist and other extremist content, irrespective of whether they sought out general or male supremacist-related content.

dcu.ie Ler no original
Instituição
Dublin City University, Anti-Bullying Centre
Estudo
Recommending Toxicity: The role of algorithmic recommender functions on YouTube Shorts and TikTok in promoting male supremacist influencers
Autoria
Catherine Baker, Debbie Ging, Maja Brandt Andreasen
Ano
2024
Metodologia
Experimento com 10 contas sockpuppet em 10 celulares novos (5 no TikTok, 5 no YouTube Shorts), simulando meninos de 16 e 18 anos com interesses neutros ou da manosfera, mais contas de controle; Irlanda, 2024
Abrir o estudo original

All of the male-identified accounts were fed masculinist, anti-feminist and other extremist content, irrespective of whether they sought out general or male supremacist-related content.

Dublin City University, Anti-Bullying Centre, 2024
O número

Todas as contas masculinas receberam conteúdo masculinista ou antifeminista nos primeiros 23 minutos; ao fim do experimento (400 vídeos, 2 a 4 horas de visualizacao), 76% do conteúdo recomendado no TikTok e 78% no YouTube Shorts era toxico

Foram 10 contas sockpuppet em 10 aparelhos novos, cinco no TikTok e cinco no YouTube Shorts, simulando meninos de 16 e 18 anos, algumas com interesses neutros e outras com interesses da manosfera, além de contas de controle. Todas as contas identificadas como masculinas receberam conteúdo masculinista ou antifeminista nos primeiros 23 minutos de uso. Ao fim do experimento, após 400 vídeos e de duas a quatro horas de visualização, 76% do conteúdo recomendado no TikTok e 78% no YouTube Shorts era tóxico. Os autores registram que isso ocorreu independentemente de a conta ter buscado esse tipo de material. O campo foi feito na Irlanda, em 2024.

O desenho do experimento é o que dá peso ao achado. Contas em branco não têm histórico, não têm gosto formado e não pediram nada. Elas apenas foram lidas como masculinas. A partir daí a esteira começou a andar sozinha.

Isso desmonta a explicação preguiçosa de que quem consome esse conteúdo foi atrás dele. Uma parte foi. Outra parte só pegou o celular. Um garoto de dezesseis anos que recebe três quartos do feed dizendo que mulher é adversária vai chegar aos vinte e cinco com uma ideia bem específica sobre o que acontece se ele puxar assunto com alguém.

O estudo é irlandês e mede plataformas, não pessoas reais em interação. Ele não afirma que os garotos passaram a acreditar no que viram. Mas você não precisa de crença total para ter hesitação. Basta dúvida suficiente na hora exata em que alguém precisaria decidir se atravessa a sala.

Contra uma dúvida instalada assim, insistência não funciona e espera menos ainda. O que funciona é O Convite Invisível, o sinal que reduz o custo de errar a ponto de o homem certo se mexer.

Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.

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