A queda não começou nos aplicativos, e não é só americana
Kaye Wellings e colegas, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, publicaram no BMJ a análise de três décadas de pesquisas nacionais britânicas sobre comportamento sexual. É o tipo de série histórica que raramente existe nesse assunto.
Changes in, and factors associated with, frequency of sex in Britain: evidence from three National Surveys of Sexual Attitudes and Lifestyles (Natsal)
Frequency of sex has declined recently in Britain, more markedly among those in early middle age and those who are married or cohabiting.
- Instituição
- London School of Hygiene and Tropical Medicine (BMJ)
- Estudo
- Changes in, and factors associated with, frequency of sex in Britain: evidence from three National Surveys of Sexual Attitudes and Lifestyles (Natsal)
- Autoria
- Kaye Wellings, Melissa J. Palmer, Kazuyo Machiyama, Emma Slaymaker
- Ano
- 2019
- Metodologia
- Tres surveys nacionais probabilisticos do Reino Unido: Natsal-1 (1991, N=18.876), Natsal-2 (2001, N=11.161) e Natsal-3 (2012, N=15.162)
Frequency of sex has declined recently in Britain, more markedly among those in early middle age and those who are married or cohabiting.
Homens de 16 a 44 anos sem nenhum sexo no último mes: 30,9% em 1991, 26,0% em 2001 e 29,2% em 2012; mulheres: 28,5%, 23,0% e 29,3%. A mediana de ocasioes de sexo no último mes caiu de quatro para tres entre as mulheres
O estudo compara as três ondas do Natsal, pesquisas probabilísticas nacionais do Reino Unido: 1991 com 18.876 participantes, 2001 com 11.161 e 2012 com 15.162. Entre homens de 16 a 44 anos, a proporção sem nenhum sexo no último mês foi de 30,9% em 1991, caiu para 26,0% em 2001 e voltou a 29,2% em 2012. Entre as mulheres, o percurso foi de 28,5% para 23,0% e depois 29,3%. A mediana de ocasiões de sexo no último mês caiu de quatro para três entre as mulheres.
A curva em formato de U é o achado mais interessante. A frequência sexual melhorou nos anos 1990 e depois voltou aos patamares do início da série. Ou seja, isso não é uma degradação contínua e inevitável da vida afetiva. É um indicador que sobe e desce conforme as condições mudam.
Os autores destacam outro ponto contraintuitivo: a queda é mais acentuada entre pessoas casadas ou que moram juntas, e entre quem está na primeira metade da meia-idade. Não é um fenômeno de solteiros sem sorte. É um fenômeno de tempo, atenção e energia, que atinge inclusive quem já tem parceiro dentro de casa.
Isso muda a conclusão que se pode tirar do conjunto. O ambiente ficou mais hostil ao contato para todo mundo, casados incluídos, e por causas que ninguém escolheu individualmente. Você não está atrás em uma corrida, está dentro de uma maré. Maré se atravessa com direção, não com esforço maior.
Roteiros de Aproximação Natural dá essa direção: em vez de esperar que as condições melhorem sozinhas, você usa as ocasiões que ainda existem no seu dia.
Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.
Conhecer o Convite InvisívelMenos intimidade, menos prática
As outras provas deste eixo trazem as medições equivalentes nos Estados Unidos e no Brasil, e o contraponto de quem questiona o termo recessão do sexo.
