O Convite Invisível
Nos estudos · O medo de ser mal interpretado

O que 27% dos americanos chamam de assédio

Em novembro de 2017, o YouGov perguntou a 1.500 adultos nos Estados Unidos quais gestos de um homem desconhecido contariam como assédio sexual. O resultado mostra onde o público desenha a linha, e por que essa linha ficou difícil de enxergar.

The Economist / YouGov

The Economist/YouGov Poll, November 5-7, 2017 (Toplines, questao 47)

YouGov para The Economist · 2017

Which of the following would you consider to be sexual harassment if a man, who was not a romantic or sexual partner or friend, did them to a woman?

ygo-assets-websites-editorial-emea.yougov.net Ler no original
Instituição
The Economist / YouGov
Estudo
The Economist/YouGov Poll, November 5-7, 2017 (Toplines, questao 47)
Autoria
YouGov para The Economist
Ano
2017
Metodologia
1.500 adultos nos EUA, entrevistas de 5 a 7 de novembro de 2017, amostra por sample matching ponderada por sexo, idade, raca, escolaridade
Abrir o estudo original

Which of the following would you consider to be sexual harassment if a man, who was not a romantic or sexual partner or friend, did them to a woman?

The Economist / YouGov, 2017
O número

Convidar uma mulher para tomar um drink: 4% dizem que e sempre assedio e 5% que geralmente e assedio. Elogiar a aparencia de uma mulher diretamente para ela: 8% sempre e 19% geralmente (27% no total). Assobiar: 24% sempre e 31% geralmente (55%). Piscar: 6% sempre e 13% geralmente

A pergunta do questionário era direta: quais destes comportamentos você consideraria assédio sexual se um homem, que não fosse parceiro romântico nem amigo, fizesse com uma mulher? Convidar para tomar um drink ficou perto do consenso de que não é: 4% responderam que sempre é assédio e 5% que geralmente é. Elogiar a aparência dela pessoalmente dividiu bem mais, com 8% dizendo sempre e 19% dizendo geralmente, 27% somados. Assobiar somou 55% entre sempre e geralmente, e piscar somou 19%. Os dados vêm do toplines original da pesquisa, com 1.500 adultos americanos ouvidos entre 5 e 7 de novembro de 2017.

Repare no que esse conjunto de números faz com a cabeça de quem quer se aproximar. O convite direto é amplamente aceito, mas o elogio, que costuma vir antes do convite, já carrega um quarto de reprovação. Quem está com medo não faz média ponderada. Quem está com medo olha para o maior número da tabela e conclui que é melhor não fazer nada. O resultado é um homem que acha a mulher interessante, ensaia o elogio e engole a frase.

É aqui que a indústria red pill entra vendendo interpretação. Ela pega uma tabela como essa, isola a linha mais alta e transforma em regra geral: mulher hoje chama tudo de assédio. A pesquisa não diz isso. Ela diz que existe uma faixa cinzenta e que os gestos mudam muito de leitura conforme o gesto. Quem lucra com o medo precisa que essa faixa pareça um campo minado inteiro.

Vale marcar o limite do dado: são americanos, em 2017, respondendo sobre comportamento de estranhos. Não é um retrato do Brasil e não deve ser lido como tal. Minha leitura, e leitura minha não é achado do estudo, é que a hesitação que esse tipo de número alimenta chegou aqui pelo mesmo caminho, que é o conteúdo em vídeo. O ponto prático continua o mesmo em qualquer país: quando a leitura do gesto é ambígua, o homem de caráter recua e o sem-vergonha não recua.

É exatamente por isso que existe O Convite Invisível, o pilar que substitui a ambiguidade por um sinal de três segundos, curto e proposital, que tira do homem certo a dúvida sobre se ele pode ou não chegar.

Se isso explica o que você anda vivendo, o método mostra o que fazer com essa informação.

Conhecer o Convite Invisível

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